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            Eu podia ver, mesmo à distância, a obscenidade ingênua daqueles olhos azuis por trás dos óculos de fina armação. Seus longos cabelos dourados recaíam majestosos sobre seus ombros cobertos pelo tailleur de linho preto e por uma camisa branca de gola estreita e longa.

Podia sentir o cheiro de seu desejo contido pela moral que, aparentemente, lhe atormentava, privando-a de prazeres que almejava, por viver o alvorecer de sua fertilidade e o ápice de sua beleza. Isso a inquietava e por vezes abria suas pernas para se ajeitar na cadeira giratória de couro marrom como se suplicasse por algo que lhe saciasse o afã por prazer.

Sua mesa de trabalho não protegia seu sexo de ser visto, era explícita sua intenção. Propositadamente, a mesa aberta deixava-o a plena mostra, para qualquer um que quisesse ver e angustiadamente, também desejar toca-lo e, se a sorte lhe contemplasse, possuí-lo.

Eu tentava disfarçar. Não sou tarado. Não sou obsceno. Sou bem mais velho que ela e minha mulher, que há tantos anos me acompanha e procura me satisfazer, não mereceria tal afronta, mesmo porque a concorrência lhe seria desleal.

Lutava desesperadamente para desviar o olhar. Por vezes incontáveis tentei fazê-lo. Mas, o imã alimentado pelos hormônios magnetizava minha visão naquele lingerie de rendas brancas que não conseguia camuflar com eficiência o castanho claro dos parcos pelos pubianos que o frescor da juventude fez nela florescer e que, certamente, nunca tinham sido podados por ceras ou lâminas.

Peguei, então, uma revista na pequena mesa de vidro retangular que ficava ao lado do sofá de tecido azul no qual me assentava de frente àquela visão da perfeição carnal. Peguei-a com a vã intenção de ludibriar minha mente e evitar minha excitação iminente com uma leitura qualquer que escoasse dela a luxúria com que aquelas rendas e aquele olhar a preenchera. Inútil!  Lá não havia mais espaço. Nem um cantinho remoto sequer sobrara em meus pensamentos para a leitura ou para o recato que eu, bravamente, lutava para manter.

Gotas de suor brotavam de minha testa como flores na primavera. Eu inspirava e espirava, a princípio pausadamente. Mas, não eram suficientes, meus pulmões não enchiam. Minha respiração acelerava junto às batidas do meu coração. Sofregamente, tentava oferecer uma sobrevida à minha retidão. Mas, as pernas dela insistiam em se abrir, eu via as rendas, sentia o odor inebriante de seu sexo e meu coração disparava como uma metralhadora descarregando a fúria de um soldado.

Estava prestes a explodir. 

Sentia, vergonhosamente, o pulsar por sob minhas calças. O suor já não brotava mais, escorria feito cascata. Minha boca seca me fazia engolir a saliva grossa que se formava e a inquietude começava a se transformar em agitação.

Foi quando ela se levantou, me olhou nos olhos profundamente, como que fitasse minha alma, provocando-me. Tentei acortinar minha face já rubra de desejo por trás da revista. Ela virou-se de costas e, cruelmente, abaixou-se devagar para pegar algo numa gaveta que ficava atrás de sua mesa, deixando à mostra suas nádegas perfeitas sob a saia, também de linho preto, que junto ao tailleur completava seu uniforme.

Despenquei sobre a tentação. Arremessei ao longe a revista e parti feito um predador em sua direção. Ainda de costas para mim, ela olhou-me por sobre o ombro e com um nítido falso desesperar, refugiou-se no encontro de duas paredes da pequena sala de espera, permanecendo de costas, submissa ao furor do meu desejo, como que aguardando uma atitude que condissesse com meu olhar.

Agarrei-a com força, estendi bruscamente seus braços assentando suas mãos, uma em cada parede, para que assim se apoiasse. Segurei firmemente seus longos cabelos aloirados, senti a maciez do veludo suave de sua tez alva e tateando vorazmente, comecei a explorar cada pedaço de seu corpo ainda coberto pelo incômodo vestuário.

Enterrei minhas mãos sob sua camisa, arrebentando simultaneamente todos os botões que insistiam em segurar seus seios fartos na medida exata. Pude sentir a rigidez dos bicos por sob o soutien, convidando-me a serem avidamente sugados com toda a força que minha boca pudesse dispor, enquanto ela apenas sussurrava que eu parasse, sem esboçar nenhum tipo de reação mais contundente.

Fui descendo pelo seu corpo, sentindo com meu rosto cada curva dessa estrada de pecado que me levaria às suas nádegas arredondadas. Agachei. Quase me ajoelhei. Suas coxas roliças, mas esguias, serviram sua lateral como apoio para que minhas mãos invadissem sua saia, erguendo-a, deixando à mostra a brancura perfeita de seu traseiro, ornamentado por entre suas duas metades pelo lingerie de renda branca, que pouco, ou nada escondia. Beijei suas nádegas alucinadamente. Mordisquei-as, tal qual faz um animal antes de concluir sua refeição após abater a caça. Senti o cheiro que invadia o ambiente vindo de nós. Então, arranquei com furor sua calcinha, arregaçando as rendas brancas que me inspiraram a tal ato.

Nesse instante, ela tentou virar-se. Tentou resistir. Talvez tenha caído em si. Ela não podia fazer aquilo. Certamente lembrou-se de que era noiva, que logo se casaria com o amor da sua vida. Então, começou a debater-se, a me empurrar. A gritar.

Mas, sou homem, maior, mais forte e completamente ensandecido. Com a mão esquerda tapei sua boca, enquanto baixava o zíper de meu jeans lavado com a outra mão. Tive que manter-me firme, deveria calar-lhe, ela insistia em se bater, então, agarrei-a ainda mais forte, abaixei minhas calças até os calcanhares e penetrei sua vagina latejante, quente e úmida, não dando-lhe mais chances de recuar.

Comecei a viagem de vai e vem com destino ao prazer absoluto com muita força, até certa selvageria, enquanto ela chorava, tentando respirar por entre meus dedos que permaneciam sobre sua boca.

Isso me excitou ainda mais. Não parei. Não tirei a mão de sua boca e delirei a cada centímetro que eu descobria dentro dela.

Poucos minutos depois, a tempestade passou. Satisfiz-me, inundando-a de sêmen quente, trazendo-me subitamente de volta à razão.

Mirei-a de costas, chorando. Prostrei-me diante dela como que suplicasse um perdão improvável. Não sou assim, não sou tarado. Abaixei a cabeça e preparei-me para qualquer castigo que pudesse purgar meu ato impensado. Eis então, que ela se vira, assenta sua mão sobre meu ombro e diz:

- Senhor! Senhor! Acorde! O senhor está bem? O doutor vai atendê-lo agora. Acho que deixou cair água em sua calça.

 

 

 

 



Os trágicos transtornos, causados pela chuva de ontem, mais uma vez provaram o porquê das urnas terem rechaçados algumas figurinhas carimbadas do cenário político de Várzea Paulista.

Se aproveitando de desgraças alheias, oportunistas safados, acompanhados por seus papagaios de plantão, tentaram obter algum tipo de lucro político, descrevendo o volume intenso de chuvas como algo culposo ao atual governo.
Circulando por alguns pontos, pude ver os gestores e amigos, Renato Germano e Josué Vieira, trabalhando, lutando e dando muito mais que apenas suor e palavras. Entretanto, curiosamente, não vi nenhum desses carniceiros lá ajudando. Todos estavam em casa, escrevendo textos, criando memes e deleitando-se com a desgraça daqueles de quem queriam votos.
Dizer o que? Políticos e jornalecos se deliciando com algo assim, só reforça a ideia de que a cidade fez a escolha certa. Essas pessoas não querem o melhor para Várzea Paulista, querem o melhor para si mesmos. Mas, como diriam nossas mães: “vão ficar querendo”.

Mais uma campanha terminou e um balanço é propício.

De antemão podemos concluir algumas coisas que ficaram claras com os resultados apresentados pelas urnas: 
A primeira: o Partido dos Trabalhadores, antes o mais poderoso do país, é hoje um verdadeiro Titanic que afunda qualquer campanha. Nunca na história desse país (sic!) houve uma queda tão brutal da simpatia e militância de um partido como o que ocorreu com o PT nessa campanha. O partido perdeu a credibilidade, o poder e seu futuro é uma triste incógnita.
A segunda: aquela máxima de que “o gigante acordou” não passa de retórica superficial e vazia de sentido. Muitos podem contestar isso devido ao grande número de prefeituras onde houve mudança, mas, a verdade é que tudo continua como sempre foi, as mudanças aconteceram por motivos diversos, mas é óbvio que não obtivemos avanços quanto à conscientização política do nosso povo.
A terceira: o eleitor ainda vê no voto um objeto de barganha e peça de leilão. A compra de voto ainda é prática comum, deixando claro que a corrupção está incutida em nossa sociedade de uma forma tão intensa que se acabar com ela é possível que haja um colapso total. O desejo por uma sociedade mais justa é algo que fica em segundo plano, antes vem o desejo imediatista por um fardo de cerveja ou coisas assim.
A quarta: a política do voto útil ainda é útil para as grandes campanhas. O eleitor trata o ato de votar como algo tão inútil que acaba votando em quem tem mais volume de campanha, deixando claro que não quer “perder o voto”, escolhendo um candidato que tem poucas chances de vitória.
E por último: por incrível que pareça, ainda há esperança. Apesar de tudo isso, ainda houve diversos casos de vitórias reais, ancoradas em propostas e com boa adesão e mobilização da sociedade. Isto é, apesar de tudo, ainda há luz no fim desse túnel.
Em 2002, ocasião em que eu coordenava a campanha de um candidato a deputado estadual, havia dias em que eu saía da minha sala no comitê e ia às ruas, conversar com o eleitorado. A minha ideia era a de fazer uma espécie de “enquete qualitativa”. Queria ter uma noção mais precisa de como as pessoas estavam reagindo às ações da campanha e, por consequência, de como estava o ambiente eleitoral. Queria saber se as pessoas estavam envolvidas, quais as perspectivas e expectativas do eleitorado e, queria ver isso sob a ótica dele, do eleitorado.

Infelizmente, a maioria esmagadora das pessoas reagia da mesma forma quando eu iniciava a abordagem indicando que o assunto era a campanha eleitoral. Os mais educados diziam: “desculpe, mas não gosto de política, por isso não me envolvo”, mas os mais exaltados bradavam: “bando de ladrões, todos são corruptos, o Brasil não tem jeito, é tudo farinha do mesmo saco!” e outras coisas de calão tão ínfimo que me recuso a mencionar.

Entretanto, tanto os “educados evasivos”, quanto os “ignorantes revoltados”, reagiam da mesma maneira, quando eu fazia a pergunta: “Mas, você sabe o que faz um deputado?”.

A resposta era sempre genérica, constrangedoramente previsível e deixava claro que eles não faziam a menor ideia das responsabilidades de um deputado. E embasados por esse total desconhecimento, preferiam atacar a classe política, colocando no mesmo balaio, os deputados, prefeitos, governadores, vereadores, presidente, ministros, secretários e até juízes.

Isto é a percepção de uma massa (o eleitorado) sobre outra massa (a classe política), pois quando cito “eleitorado”, me refiro à massa que vota e não ao eleitor, à individualidade, pois se há regra, há exceção, e nesse caso, há eleitores conscientes e politizados que se encaixam nisso. Porém, desafortunadamente para o país, o que deveria ser regra é exceção.

Isso me remete a uma definição fantástica apresentada pelos professores, Mário Sérgio Cortella, filósofo e ex-secretário de educação de São Paulo, e Renato Janine Ribeiro, um dos mais prestigiados filósofos brasileiros, no livro “Política para não ser idiota”, da editora Papirus.

Nesse livro eles apresentam uma definição filosófica sobre as pessoas que não se interessam em participar de sua própria comunidade. São pessoas individualistas, que não ajudam outros indivíduos, que não opinam ou se interessam em saber mais sobre os problemas que atingem a todos, pois preferem resolver os seus problemas pessoais, deixando o coletivo de lado, como se não fizesse parte dele.

Esses eremitas egocêntricos eram chamados na antiga Grécia de “idiótes”, que significa: aquele que só vive a vida privada, que olha apenas para si mesmo. Pois o prefixo “id” relaciona a palavra a si próprio. Tudo o que começa com “id” diz respeito ao próprio ser, à individualidade, ao comportamento ou à personalidade única de cada um. Como identidade, idiossincrasia, idiopática, etc.

Logo, não é difícil de concluirmos de onde vem a palavra “idiota”.
O oposto do “idiótes” era o “polites”, ou, aquele que cuida da polis, da cidade, da comunidade, aquele que vive de forma social para o bem comum. Isto é, a pessoa ser política é ser o oposto de ser idiota.

É nesse sentido que é possível afirmar que o eleitorado é idiota, pois, cada um se prima em cuidar de si próprio e não se interessa em cuidar do coletivo, da vida da comunidade a qual pertence. Daí a sua total ignorância sobre quem são, o que fazem e como fazem, os agentes políticos que participam de forma mais arraigada das questões da comunidade.

Essa ignorância é mais ou menos como se você colocasse um brasileiro qualquer para assistir a uma partida de baseball e pedisse que ele escolhesse o melhor jogador da partida.

A pessoa não conhece suas regras, não tem a mínima ideia do que faz cada membro da equipe, não sabe se um jogador o está engando ou não, não tem nenhum parâmetro para dizer se uma jogada foi boa e muito menos tem condições de dizer qual foi o “craque da rodada”. É assim que o eleitorado brasileiro enxerga o jogo eleitoral. Total incipiência sobre tudo e, por osmose, total desinteresse em discutir ou se capacitar para participar e emitir opinião.

Por essa característica, é mais confortável ao idiota, acolher qualquer tipo de opinião alheia que corrobore, ou ao menos, fundamente esse teu desinteresse em estudar sobre política. Então, o indivíduo se escora numa muleta midiática que o manipula ao seu bel prazer.

É óbvio que os maus políticos, aqueles que se enfurnam no ciclo de corrupção sistemático brasileiro, sistema esse que conta com o aval da iniciativa privada e da própria mídia que manipula a turba idiota a fim de defender seus interesses, ajudam a construir a reputação corrupta da classe política.

Então, o ideal não seria transformar essa cambada de idiotas em políticos?
Sim, essa seria a civilização perfeita, onde todos se envolvem na vida da comunidade a fim de melhorá-la continuamente.

Eu costumo dizer que, se um dia isso acontecesse, como marketólogo, eu teria que rever os conceitos e adequar meu trabalho a essa nova realidade perfeita, pois as estratégias que hoje conheço se tornariam obsoletas e inócuas. Entretanto, eu sei que isso não irá acontecer tão cedo. Sabe por quê?

Porque para uma transformação social tão rica, complexa e profunda quanto essa, seria necessário conscientização coletiva, união e mobilização de toda a sociedade, coisa improvável de acontecer quando se trata de pessoas que, por natureza, foram adestrados a olharem apenas para o próprio umbigo.

Essa história de que “o gigante acordou”, durante as manifestações dos últimos anos não passa de balela. Esse gigante, no máximo, teve uma crise de sonambulismo e voltou para o conforto de seu repouso eterno.

O povo é um organismo que não age por si só. Ele depende de um gatilho, de uma faísca, de uma ignição. O povo depende de fatores “externos” para se movimentar. Precisa de um despertador. E, normalmente, esse despertador é algum movimento político com interesses idiotas, ou seja, com motivações próprias de se beneficiar com isso.  Sem isso, não há união, mobilização ou engajamento, simplesmente porque não há uma consciência coletiva de bem comum. Não há tolerância, não há cumplicidade, não há sinergia ou sincronismo de ideais, num conjunto de indivíduos que só pensam em si.

É por isso que você, candidato, sofrerá todas as consequências disso durante a sua campanha. Você ouvirá brados perturbadores que ofenderão a sua moral, que conflitarão seus conceitos, que denegrirão sua honra até que, em determinado momento você se perguntará se tudo isso valerá a pena.

Você sabe o que é permitido e o que não é durante uma campanha eleitoral?
Com a ideia de equilibrar a disputa eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral publicou a Resolução TSE 23.457/2015, alterando de forma significativa as regras para a propaganda eleitoral.

Os pontos que tiveram mudanças mais significativas foram a chamada "pré-campanha" e as limitações para a comunicação visual, "despoluindo" as cidades, restringindo os tamanhos dos materiais, e, por consequência os custos de campanha, ao menos, deve ser assim.
Veja abaixo os pontos alterados pela resolução:

Resolução TSE 23.457/2015

1) Quando é permitida a propaganda eleitoral?
A propaganda eleitoral é permitida a partir de 16 de agosto, dia seguinte ao término do prazo para o registro de candidaturas. A data é definida pela legislação para que todos os candidatos comecem a propaganda em igualdade de condições, evitando o desequilíbrio na disputa eleitoral.

2) É permitida a propaganda eleitoral em bens particulares? A propaganda pode ser paga?
Em bens particulares é permitida a propaganda eleitoral feita em adesivo ou papel, com dimensão até 0,5 m². Em veículos, são permitidos adesivos micro perfurados até a extensão total do para-brisa traseiro e, em outras posições, adesivos até a dimensão máxima de 50cm x 40cm.
A propaganda não pode ser paga. Ela deve ser espontânea e gratuita, vedado qualquer pagamento em troca do espaço.

 3) Pode haver propaganda nas ruas?
Sim, é permitida a colocação de mesas para distribuição de material de campanha e a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem a passagem de pessoas e veículos. 
A mobilidade estará caracterizada pela colocação e retirada dos materiais entre 6 e 22h.

4) Onde fica expressamente proibida a propaganda eleitoral?
A propaganda sob qualquer forma, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação
de placas, estandartes, faixas e assemelhados é proibida em:
- bens públicos, ou seja, bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam;
- bens de uso comum, ou seja, os definidos pelo código civil e também aqueles a que a população em geral tem acesso (cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, templos, ginásios e estádios, ainda que de propriedade privada);
- em postes de iluminação pública e de sinalização de tráfego;
- em árvores e jardins localizados em áreas públicas, bem como em muros, cercas e tapumes divisórios;
- em viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos.

5) O que acontece com quem destrói propaganda eleitoral?
É crime eleitoral inutilizar, alterar ou perturbar meio de propaganda devidamente empregado. A pena é de detenção de até seis meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa.

6) Em relação ao material gráfico, o que os candidatos podem fazer?
Eles podem distribuir santinhos, folhetos, volantes e outros impressos até às 22 horas da véspera da eleição. Esse material deve ser editado sob a responsabilidade do partido político, da coligação ou do candidato.
Todo material impresso de campanha eleitoral deverá conter o número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) ou o número do Cadastro Nacional de Pessoas Físicas (CPF) do responsável pela confecção, bem como de quem a contratou, e a respectiva tiragem.

7) Quais são as regras para publicação de anúncio em jornais e revistas?
Está autorizada até a antevéspera das eleições a divulgação de, no máximo, 10 anúncios de propaganda eleitoral, por veículo de comunicação social, em datas diversas, por candidato. Deverá constar no anúncio, de forma visível, o valor pago pela inserção, e a dimensão da propaganda deve ser de um oitavo de página de jornal padrão e de um quarto de página de revista ou tabloide.
Esse impresso pode ser reproduzido também na Internet, desde que no sítio do próprio jornal.

8) Como é a regulamentação dos comícios e do uso de alto-falantes?
É permitida a realização de comícios com utilização de aparelhagem de sonorização fixa e trio elétrico entre 8 e 24 horas, até a antevéspera da eleição. Já o uso de alto-falantes é permitido entre 8 e 22 horas, mantida distância maior que 200 m de hospitais, escolas, igrejas, bibliotecas públicas e teatros quando em funcionamento, até a véspera da eleição.

9) E o showmício, é permitido?
O showmício ou evento assemelhado para a promoção de candidatos e a apresentação, remunerada ou não, de artistas com o objetivo de animar comício e reunião eleitoral fica proibido pela legislação eleitoral. A proibição não se estende aos candidatos profissionais da classe artística – cantores, atores e apresentadores – que poderão exercer a profissão no período eleitoral, desde que não envolva animação de comício, participação em programas de rádio e de televisão ou alusão à candidatura ou campanha.

10) Os candidatos podem fazer passeatas na véspera da eleição?
Sim, os candidatos podem participar de passeatas, carreatas e caminhadas na véspera da eleição, até às 22 horas.

 11) Como fica a propaganda dos candidatos na internet? Eles podem mandar mensagens eletrônicas? E fazer propaganda em blogs e redes sociais?
A partir do dia 16 de agosto do ano em que ocorrem as eleições, o candidato pode fazer propaganda em seu site ou no site do partido ou coligação, desde que o endereço eletrônico seja comunicado à Justiça Eleitoral. Quanto às mensagens eletrônicas, ele pode mandar para endereços cadastrados gratuitamente por ele. No entanto, é necessário criar um mecanismo que permita o descadastramento pelo destinatário, o que deverá ocorrer em 48 horas. O candidato também pode fazer propaganda em blogs e redes sociais.
Não é permitida a veiculação de propaganda eleitoral em sítios de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, nem em sítios oficiais. Também é proibida a propaganda eleitoral paga na internet.

12) O candidato pode utilizar o telemarketing?
Não, a resolução nº 23.457/2015 do TSE proibiu o uso do telemarketing.


13) O candidato pode fazer propaganda em outdoors?
Não. Os outdoors estão proibidos desde a edição da Lei 11.300/2006. O objetivo dessa lei foi diminuir os custos das campanhas e promover um maior equilíbrio na disputa eleitoral.

14) O candidato pode distribuir brindes para os eleitores?
Não. Confecção, utilização e distribuição, por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor são proibidos.

15) Como denunciar propaganda eleitoral irregular?
É possível acessar o Denúncia On-Line, serviço do TRE-SP, que tem como objetivo coibir a propaganda eleitoral de rua irregular, ou seja, em vias públicas, em locais de uso comum (cinemas, centros comerciais, templos, etc) e em bens particulares.
Para denunciar, qualquer pessoa pode entrar no sistema por meio do site www.tre-sp.jus.br, mas deve se identificar, pois é vedado o anonimato. O Tribunal garante o sigilo do denunciante. O caso é encaminhado ao juiz da zona eleitoral onde houve a propaganda. Se constatar a irregularidade, o magistrado notifica o responsável para a retirada em 48 horas. Cumprida a exigência, arquiva-se o procedimento. Caso contrário, a ocorrência é encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral para providências cabíveis.
O sistema não atende denúncia de propaganda irregular veiculada nos meios de comunicação (rádio, TV, jornais, revistas, internet) ou mesmo que trate da distribuição de brindes, o que também é vedado pela lei. Para tais acusações, o eleitor deve acionar a Procuradoria Regional Eleitoral (www.presp.mpf.mp.br), que pode apresentar uma representação para que a Justiça Eleitoral aprecie e decida o caso.

16) Quando começa o horário eleitoral gratuito? Como é feita a divisão do tempo?
A propaganda eleitoral em rádio e televisão será veiculada no período de 26 de agosto a 29 de setembro de 2016.
A lei 13.165/2015 extinguiu a propaganda eleitoral em bloco para vereador. Nas eleições municipais, o tempo destinado à propaganda para prefeito, de segunda-feira a sábado, é dividido em duas partes: 7h às 7h10 e 12h às 12h10 no rádio, e 13h às 13h10 e 20h30 às 20h40 na televisão. Há ainda 70 minutos diários de inserções, de segunda-feira a domingo, divididos na proporção de 60% para prefeito e 40% para vereador, distribuídos ao longo da programação.
Os horários reservados à propaganda de cada eleição são distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidato, sendo 90% de forma proporcional ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerado, no caso de coligação para eleições majoritárias, o resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integrem. E no caso das coligações para eleições proporcionais, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integrem. Os outros 10% devem ser divididos igualitariamente.
Caso ocorra segundo turno, a propaganda eleitoral em rádio e televisão será veiculada a partir de 48 horas da proclamação provisória dos resultados do primeiro turno até 28 de outubro de 2016, dividida em dois blocos diários de 20 minutos, além de 70 minutos diários de inserções. Os blocos serão transmitidos às 7h e às 12h no rádio, e às 13h e às 20h30 na televisão.

17) O que é permitido no dia da eleição?
No dia da eleição é permitida a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato, revelada exclusivamente pelo uso de bandeiras, broches, dísticos e adesivos.
É crime eleitoral a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos no dia da eleição, bem como o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata na data do pleito.

18) A boca de urna é permitida?

Não. Tanto a boca de urna como qualquer tentativa de influenciar a vontade do eleitor, no dia da eleição, são considerados crimes eleitorais. A pena é de detenção de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de R$5.320,50 a R$15.961,50.